O que é o Bullying?

Entende-se por Bullying qualquer ato agressivo, verbal ou físico praticado entre pares de modo intencional e continuado no tempo.

Tipos de Bullying

Dentro deste fenómeno, podemos identificar vários tipos:

Bullying verbal: ofensas (ex. parvo(a)); alcunhas depreciativas (ex. caixa de óculos);

Bullying físico: agressões físicas (ex. pontapés; chapadas);

Bullying psicológico: comentários ou atos que provoquem mal-estar psicológico propositadamente (ex. “És demasiado magra/Tu és bom rapaz mas o Y é melhor);

Bullying social: difamação; exclusão de grupos (ex. A X dormiu com os rapazes da turma toda/ Tu já não podes jogar, já temos o grupo completo);

Bullying sexual: carícias, toques contra a vontade do próprio;

Ciberbullying: prática de atos agressivos com recurso aos meios informáticos (ex. exposição de fotos privadas numa rede social);

Possíveis Consequências no Bullying

Para a vítima

Isolamento;

Baixa autoestima;

Suicídio;

Tornar-se num agressor (repete com outro o que fizeram com ela);

Para o agressor

Reforço dos comportamentos agressivos/violentos;

Promoção de um tipo de personalidade impulsiva e agressiva;

Limitações no respeito de regras e limites;

Pouco respeito pelo próximo e pelos seus sentimentos.

Bullying e características

Em Portugal, calcula-se que a incidência de vítimas de bullying é de cerca de 20%. O bullying apresenta 3 características essenciais, que o distinguem dos breves desentendimentos entre crianças, sendo elas:

  1. A intencionalidade: O agressor pretende sempre maltratar e causar mal estar ao outro (vitima).
  2. Frequência dos comportamentos: os comportamentos são repetidos ao longo do tempo e assumem um carácter continuado.
  3. Desequilíbrio do poder: existem sempre uma criança que domina (agressor) perante uma criança que não se consegue defender (vítima).

 

Sinais que as vítimas de bullying evidenciam:

A maioria das vítimas de bullying evidenciam alguns sinais, aos quais os pais ou outros cuidadores devem estar atentos:

– Objetos escolares perdidos ou danificados

– Roupa rasgada, hematomas sem explicação aparente

– Perda de interesse pela escola ou desejo de mudar de escola rapidamente

– Perda súbita de amigos

– Isolamento

– Dificuldades de concentração

– Dificuldade em adormecer, pesadelos

– Receio/medo de sair de casa

– Baixa autoestima

– Diminuição do rendimento escolar

– Recusa em ir à escola

– Sintomas psicossomáticos, ou seja, dores de cabeça, barriga etc sem explicação física aparente.

– Alterações súbitas de humor

– Dificuldade em falar do que se passa na escola

Prevenção do bullying

É importante transmitir, junto das crianças e jovens, o que é o bullying e como devem atuar se forem vítimas ou se forem observadores (souberem de alguém que é vítima).

O desconhecimento, muitas vezes, é um problema para a identificação desta problemática (uma vez que nem sempre as formas de agressão são óbvias à primeira vista, como é o caso do bullying psicológico), bem como, não saber a quem recorrer nestas situações.

As famílias, em casa, devem alertar os seus filhos para o que é o bullying e como devem agir (ex. falar com um adulto da sua confiança na escola; comunicar com os pais sobre isso).

Intervenção junto da vítima

As vítimas são percecionadas pelo agressor como sendo um alvo fácil, porque lhe atribuem alguma caraterística de fraqueza (ex. física; personalidade).

A intervenção com a vítima passa por ajudá-la a arranjar estratégias para lidar com a situação, nomeadamente, estratégias que promovam a sua autoestima e o seu poder pessoal (ex. tomar consciência dos seus pontos fortes) e de enfrentamento da situação (ex. mostrar uma atitude de afirmação face ao agressor, como por exemplo dizer-lhe que não vai permitir que continue a ter esse comportamento ou de ignorar, virando-lhe costas). A adoção de atitudes diferentes do habitual, irá fazer com o agressor se sinta desconfortável porque não sabe com o que está a lidar, perde o controlo que antes tinha sobre a vítima.

 

Intervenção junto do agressor

O agressor é sempre alguém que está em sofrimento psicológico e não consegue lidar com isso, canalizando a sua raiva para alguém que considera ser fraco.

Existe, assim, muitas dificuldades por parte do agressor em gerir as suas emoções de modo adequado, “descarregando” as suas frustrações no outro.

O trabalho de reeducação dos agressores nem sempre é feito, incidindo as medidas interventivas em medidas sancionatórias. Embora seja importante existir uma repreensão do comportamento desadequado, também é de extrema importância ajudar psicologicamente estas crianças/jovens.

O recurso à terapia em grupo e terapia individual, são formas eficazes de atuar neste tipo de situação.