As hepatites virais são uma das principais causas de morte e um problema de saúde pública muito relevante em todo o mundo. Estas doenças devem-se principalmente aos vírus da hepatite A a E, que provocam uma inflamação aguda ou crónica do fígado.

Existem 5 tipos de Hepatites: A, B, C, D e E.

*A hepatite A transmite-se essencialmente por via fecal-oral após contacto com água e alimentos contaminados.

Com a melhoria do saneamento básico, das condições de higiene, acesso a água potável e cuidados na confeção de alimentos, a hepatite A é hoje uma doença rara em Portugal.

A grande maioria dos casos de hepatite A no nosso país está relacionada com viagens para países de risco ou com surtos esporádicos em comunidades de homens que têm sexo com homens.

A mortalidade associada à hepatite A é baixa, sendo maior em idosos e em doentes com cirrose.

Existe uma vacina segura e eficaz contra a hepatite A, que está recomendada pela Direção Geral da Saúde para:

  • Os 2 grupos mencionados: viajantes para países de risco e comportamentos sexuais de risco);
  • Candidatos a transplante hepático;
  • Crianças em tratamentos com fatores de coagulação.

* Estima-se que existam em todo o mundo 250 milhões de pessoas com hepatite B crónica, doença que provoca mais de meio milhão de mortes por ano.

A infeção pode ser transmitida:

  • Ao nascimento, de mãe para filho, o que se designa transmissão vertical;
  • Por via sexual;
  • Por via percutânea (inoculação acidental do vírus por injeções, picadas em agulhas) ou em contexto familiar em crianças (contacto próximo, partilha de objetos como escovas dos dentes e corta-unhas).

A hepatite B é considerada uma doença de sexualmente transmissível.

A probabilidade de a infeção se tornar crónica é mais alta nas crianças e jovens do que nos adultos. Quando acontece nos adultos pode evoluir para cirrose e cancro do fígado.

Desde a introdução da vacina contra a hepatite B no Programa Nacional de Vacinação (PNV) em 1994, a incidência da doença tem diminuído de forma importante. Continuando a manter-se a elevada taxa de adesão à vacinação, é provável que a hepatite B possa ser erradicada de em Portugal dentro de algumas décadas.

Alguns doentes com hepatite crónica têm indicação para tratamento vitalício, que é feito com comprimidos. Com este tratamento, o risco de cirrose e cancro diminui.

*A hepatite C transmite-se por via percutânea e na maioria dos casos a doença torna-se crónica. A hepatite C é a principal hepatite viral crónica.

Desde 2015 que estão disponíveis em Portugal os antivíricos de ação direta, que são usados em tratamentos com uma duração de 8-12 semanas, bem tolerados e altamente eficazes (> 95% de cura).

Nas fases iniciais da doença este tratamento impede a evolução para cirrose. Nas fases mais avançadas reduz a probabilidade de cancro e de morte.

*A hepatite D afeta apenas as pessoas com hepatite B, é rara e transmite-se por via percutânea. É a hepatite que mais rapidamente evolui para cirrose e não tem tratamentos específicos aprovados. A vacina contra a hepatite B também é eficaz contra a hepatite D.

*A hepatite E ocorre em dois padrões distintos:

  • Na Ásia e em África provoca uma doença aguda, endémica, com transmissão semelhante à da hepatite A, e com baixa mortalidade exceto em grávidas;
  • A forma esporádica, mais comum nos países desenvolvidos, incluindo Portugal, tem o seu reservatório em animais (porcos) e pode causar uma doença crónica em doentes imunodeprimidos.

A transmissão da hepatite E é feita por via fecal-oral.